Comparada a Anitta, MC Pocahontas desponta no funk ostentação carioca

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Em quatro anos de carreira, a moça, que já foi roqueira, faz 30 shows por mês e é cantada por mulheres: ‘Devo ser a Ana Carolina do funk’.

MC Pocahontas (Foto: Drica Donato/Divulgação)MC Pocahontas sofreu bullying e foi perseguida na escola por uma “amiga” apaixonada: “É  muita menina me cantando”(Foto: Drica Donato/Divulgação)

Aos 13 anos tudo o que ela queria ouvir era rock. Pesado, inclusive. Cabelos coloridos, roupas pretas, piercing, camisa xadrez, maquiagem bem marcada e guitarras em alto volume. Seis anos depois, Viviane Queiroz – cabelos lisos negros, shortinho e top sensuais, piercings, batom rosa na boca – só quer saber da batida alta do tamborzão. Não ligou o nome à pessoa? Ela atende pela alcunha de MC Pocahontas, a nova estrela do funk ostentação carioca. Na verdade, a primeira a representar o movimento que ganhou fama em São Paulo. “Tudo começou quando umas funkeiras vieram falar comigo em um banheiro de barzinho. Gostavam do meu estilo, do que eu vestia e me convidaram para andar com elas. Aprendi a ouvir funk e a gostar”, justifica a moça, nascida, criada e moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Dos tempos de escola e adolescência, aliás, Pocahontas – Poca para os íntimos – não guarda tantas boas lembranças. Apelidos como Magrela e Olívia Palito faziam parte de seu dia a dia. O apelido da indiazinha da Disney, incorporado à vida artística, foi dado pela família: “Todo mundo me achava parecida com a personagem quando eu era pequena”. Mas bullying era o de menos. A garota foi perseguida por uma “amiga” que era apaixonada por ela. “Ela escreveu uma carta bem abusada e colocou nos meus livros, levei o caso à direção, e passei a ser perseguida e ameaçada”, recorda ela, que hoje em dia continua sendo assediada pelas fãs. Sim, as mulheres. “Devo ser a Ana Carolina do funk, porque é muita menina me cantando nos shows. Não é a minha, mas respeito muito. Faço vários shows em casas LGBT e esse é meu público também”.

MC Pocahontas (Foto: Drica Donato/Divulgação)“Meu primeiro cachê foi R$ 1 mil. Minha mãe chorou
quando viu aquele dinheiro. Ela e meu pai estavam
desempregados” (Foto: Drica Donato/Divulgação)

Provavelmente não é só pela beleza. A morena de olhos verdes, seios siliconados e hoje com um corpo mais trabalhado é porta-voz de um modismo entre as funkeiras. Elas gostam de dizer o que têm, curtem causar inveja entre as rivais e recalque é a palavra de ordem da vez. “Mulher do poder”, o primeiro hit a bombar, Pocahontas avisa: “Bota o dedo pro alto, deixa os homens loucos/Esse é o bonde das minas que andam no ouro/Gosto de ostentar e essa é a minha vida/Mulher do poder, é assim que eu sou conhecida“.

Na vida real, ela também sucumbe à vaidade. E ao cartão de crédito. Da infância modesta ela se lembra bem. “Meu primeiro cachê foi R$ 1 mil. Minha mãe chorou quando viu aquele dinheiro. Ela e meu pai estavam desempregados na época e pude pagar algumas contas lá de casa”, diz ela, filha do ex-porteiro José Romildo, e de Marinez, ex-doméstica que trabalhou 17 anos na casa de Vera Fischer: “Fomos criados, eu e meu irmão, com o filho dela. Ela era boa patroa para a minha mãe e deixava a gente ir na casa dela”.

Ela é pop. Eu sou funk. Adoro a Anitta, éramos amigas, então, não tem porque quererem comparar ou provocar uma briga entre a gente. Tem espaço para todo mundo”
MC Pocahontas

Hoje a patroa é Pocahontas. Assim que pôde, comprou uma casa para a família, grande, com piscina e churrasqueira. Em Caxias mesmo. Mas a garota pensa em se mudar para a Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. “Amo Caxias, mas fica distante para os meus compromissos, então, preciso priorizar minha agenda”, justifica.

Mc Pocahontas (Foto: Reprodução do Instagram)Mc Pocahontas chegou a pagar R$ 19 mil em
uma bola (Foto: Reprodução do Instagram)

Em quatro anos de carreira, os cachês quintuplicaram. Mas por um único show, ela já chegou a ganhar  R$ 10 mil. Em média, Pocahontas faz 30 shows por mês em vários cantos do país. Trabalho que lhe permite, por exemplo, gastar quase R$ 20 mil em uma bolsa. “Eu adoro bolsas. Pode ser de grife ou não. Mas esta era uma Louis Vuitton verdadeira e me custou R$ 19 mil. Se eu acho absurdo? Acho. Mas eu podia comprar e queria ter uma. Minha mãe quase me matou. Ainda mais porque eu estava de férias em Cabo Frio e já tinha gastado demais”, observa.

Não são só as bolsas que fazem a mina pirar. Bonés ela tem quase 200. Tênis já perdeu as contas. E joias também ela curte. E se pode, vai às compras. Mas já passou por saias justas típicas do preconceito que olha as pessoas de cima para baixo. “Uma vez entrei em uma loja e fiquei lá olhando os sapatos e sandálias. A vendedora sequer olhou na minha cara. Aí entrou uma fã e me pediu um autógrafo, me reconheceu e disse que eu era funkeira. Ainda assim a vendedora não saiu do lugar. Naquele dia eu comprei muito, dei uma comissão gorda para ela nunca mais tratar ninguém assim. Espero jamais passar por isso novamente”, dispara.

MC Pocahontas (Foto: Drica Donato/Divulgação)MC Pocahontas dá a dica para as frquentadoras dos
bailes virarem “funkeiras ostentação”
(Foto: Drica Donato/Divulgação)

Sem comparação

Estrela em ascensão no funk, Pocahontas não curte as comparações com Anitta, amiga dos tempos de Caxias. A comparação se dá principalmente ao escutar “Não corre”, nova música de trabalho da cantora. “Não corre, que a minha tropa tá passando/E tá causando ibope/Sei que você odeia a minha cara de deboche/E é bom respeitar quem representa/Que eu vou passar exterminando as foguentas” diz o refrão. Qualquer semelhança com “Show das poderosas”, ela garante, é mera coincidência. “Ela é pop. Eu sou funk. Adoro a Anitta, éramos amigas, então, não tem porque quererem comparar ou provocar uma briga entre a gente. Tem espaço para todo mundo”, atenua ela, que prepara um clipe, que juram os entendidos, deixará “Beijinho no ombro” no passado.

Representante da moda ostentação, Pocahontas lista abaixo um manual para as funkeiras se inspirarem. “O colar de ouro, com o pingente de coroa, é o maior símbolo para ostentar. Quem não quer ser a rainha do baile?”.

Como ostentar no baile (Foto: EGO)

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